A depressão é um sintoma da vida veloz demais
O tempo que corre rápido e a idéia de que é preciso estar sempre alegre podem estar na origem de um dos grandes males do século XXI: a depressão.

A excitação das raves simboliza o ideal social do "gozo"
A partir de casos que chegaram ao seu consultório e de reflexões históricas, a psicanalista Maria Rita Kehl levantou a hipótese de que a depressão é, sim, um sintoma social.
No livro “O Tempo e o Cão” (editora Boitempo), que chega esta semana às livrarias, ela pondera:
- Os depressivos, além de se sentirem na contramão de seu tempo, vêem sua solidão agravar-se em função do desprestígio social de sua tristeza
Para Maria Rita Kehl, numa sociedade que “aposta na euforia como valor”, a tristeza e o desânimo tendem a ser vistos como patologia, como um comportamento a ser corrigido – de preferência, com remédios.
A psicanalista me recebeu em seu consultório, no bairro de Perdizes, em São Paulo, para esta entrevista que toca em alguns das reflexões presentes no livro.

Você diz que a depressão, hoje, é semelhante ao que era a histeria século XIX. Quer dizer que a tristeza é tão mal aceita hoje quanto era o comportamento feminino não recatado?
Quando falo de sintoma, não me refiro a dados estatísticos. Mas por que podemos pensar a histeria, no século XIX, como sintoma social?
Porque, nas regras de convívio e da moral desse período, o lugar da mulher estava claramente delimitado: a mulher que casa virgem, é fiel ao marido, cuida dos filhos, vive dentro de casa.
A histeria se torna sintoma social quando os médicos começam a receber, nos consultórios, mulheres que tinham convulsões, cegueiras e paralisias sem que nada fosse constatado no exame clínico.
Sempre houve e sempre haverá histéricas, mas, naquele momento, aquele comportamento enigmático causou um ruído por ser algo oposto à imagem da mulher serena, recatada, contida na sua expressão.
As histéricas rasgavam a fantasia e sinalizavam que havia alguma coisa errada.
E por que os deprimidos são o sintoma social deste início do século XXI?
Se você pensar nos parâmetros da sociedade contemporânea, é possível dizer que se trata de uma sociedade anti-depressiva.
É uma sociedade, aparentemente, com muita liberdade de escolha: como você quer viver, seu estilo de vida, como você vai se vestir, que tribo vai frequentar, o que vai comer, beber.
Há muita liberdade no plano superficial, no plano da festa. Existe muito apelo para a diversão.
Em contraste com o século XIX, em que o apelo era para contenção, sobriedade, repressão da sexualidade, hoje, a moral social é uma moral da diversão, não do sacrifício.
É uma moral que chama para aquilo que, na psicanálise, chamamos de gozo. É mais do que o prazer, é o excesso.
A rave não é, de alguma maneira, o símbolo disso tudo?
E para aguentar uma rave você é obrigado, inclusive, a tomar uma química. O apelo social não é para você aguentar o trabalho, mas a festa. Claro que a festa é ótima. Mas o que digo é que ela foi transformada no ideal social deste momento.
E o deprimido destoa radicalmente desse ideal.
Sim, porque esta é a única sociedade em que as pessoas ficam infelizes por se sentirem culpadas de não estarem tão felizes quando deveriam. Se alguém está triste, o que é natural na vida, essa cobrança social duplica a infelicidade.
O depressivo é sintoma social porque ele é aquele que não consegue aceitar o convite tão sedutor para estar sempre de bem com a vida. Mas esse é apenas um dos paradoxos. O outro diz respeito ao uso excessivo de medicação.
Seria o paradoxo do aumento do consumo de anti-depressivos e, ao mesmo tempo, do número de deprimidos?
A partir da década de 1980, a indústria farmacêutica começa a desenvolver anti-depressivos muito sofisticados. Era de se esperar que, com a oferta de soluções medicamentosas, o número de depressivos caísse. Em vez de cair, só aumenta.
Você pode até dizer que isso acontece porque, havendo remédio, mais gente procura os médicos. Mas isso não explica um salto de 50%.
Essa é uma das razões pelas quais esse tema começa a preocupar os psicanalistas. A psicanálise tem que começar a pensar na depressão, que passou muito tempo sendo tratada apenas por psiquiatras.
Do contrário, estaremos condenando essas pessoas que se dizem depressivas a só se tratar com remédios.
Mas o remédio, em muitos casos, é a única saída, não?
Claro, e não se trata de pôr um campo contra o outro. Muitos depressivos precisam de medicação até para conseguir sair da cama, pegar um ônibus e vir para a consulta.
Não é uma cruzada contra o anti-depressivo, mas um contra a medicalização indiscriminada.
Por pressão dos laboratórios, os médicos começam a dar anti-depressivo para qualquer coisa: falta de apetite, stress, problemas no trabalho, mau humor.
Qual a conseqüência disso?
Muitas vezes eu recebo pacientes, aqui no consultório, ou numa escola do MST em que atendo pessoas de baixa renda, que já chegam se dizendo deprimidos. Esse é diagnóstico do século.
Aí você descobre que aquela pessoa não é deprimida, ela apenas não se recuperou de uma perda qualquer.
Há casos de gente que passa a vida tomando remédio sem precisar. E o anti-depressivo produz uma certa acomodação, um esvaziamento psíquico.
Psicanaliticamente, como pode ser definido um depressivo?
O depressivo recua para não ter de enfrentar conflito. E o conflito é o centro da vida psíquica. Não é que você tenha que viver em conflito, não saber o que quer, mas a vida psíquica exige constantes enfrentamentos entre o vetor do desejo e o do super-ego, que diz “isso não pode”.
O depressivo tende a recuar diante da necessidade de fazer escolhas e a não enfrentar os desafios da vida.
Você fala, no livro, que o depressivo tende a ser visto como “o portador de más notícias”. Voltando ao caráter social da depressão, o quanto essas característica são agravadas hoje?
O senso comum imagina que fulano não sai da cama porque está deprimido. Estou propondo inverter um pouco a lógica.
Fulano está deprimido porque não sai da cama, não sai do quarto, não sai de casa. Ou seja, primeiro o sujeito recua e, em consequência desse recuo, ele se deprime.
Qual o papel da tecnologia nisso tudo? Ela agrava o isolamento?
A tecnologia propicia muitas relações, mas sem a presença corporal. E a pulsão vital do homem só se mobiliza diante do outro corpo.
Se ficar apenas mandando mensagens ou e-mails, você pode ficar num estado de esfriamento. Não é falar mal da tecnologia, mas ela não pode substituir o presencial.
Mas o que mais chama a minha atenção é o ritmo veloz que a tecnologia imprime à vida, a velocidade com a qual ela te solicita. A internet, o celular, o trânsito te solicitam sem parar.
Quando você dirige um carro na marginal, você não pode parar de responder a estímulos externos.
A imagem do motorista na auto-pista é uma espécie de metáfora do sujeito contemporâneo.
Ele não pode ficar para trás, não pode diminuir a velocidade e tem de estar atento a todos perigos e solicitações, numa permanente rivalidade com o outro.
A falta de tempo pode levar à depressão?
O psiquismo tem toda uma delicadeza. O homem é capaz de suportar tudo, mas as adaptações têm um preço.
A adaptação à velocidade contemporânea, que atropela os processos psíquicos mais delicados, da memória, do devaneio, da fantasia, da chamada vida interior, pode ter como preço a depressão.
A velocidade cria um vazio, e não um preenchimento. Pense numa semana em que você correu muito. A gente olha e parece que não aconteceu nada, parece que só o tempo voou por cima da gente.
O que eu fiz do meu tempo? Nada, só respondi a estímulos, a demandas, e aí vem o sentimento de desvalorização da vida.
Que participação a mídia tem nisso?
A mídia e a publicidade são o arauto dessa ideologia. A publicidade tem de ser analisada. Que mensagem a publicidade vende? Seja um campeão, seja feliz, os outros que se danem. Como diz o (jornalista) Eugênio Bucci, a publicidade vende, sobretudo, a exclusão.
E como preservar nossa vida psíquica?
O Antonio Candido, na inauguração de uma biblioteca do MST, disse: tempo não é dinheiro, essa é uma barbaridade que o capitalismo nos impõe. O tempo é o tecido da vida.
Essa foi uma das sementes do livro. É uma brutalidade eu pensar que tenho de fazer, sempre, o meu tempo render dinheiro.
Vamos ver o que estamos fazendo com o tecido da vida, porque ele esgarça, ele rasga, perde a cor, fica fragilizado.
Matéria para reflexão.
Comentário por Galvane — 16 de março de 2009 @ 9:38
Muito bom o tema abordado, n/ me contive s/ dizer algo.
Acredito q/ servirá de alerta p/ muita gente.
Refletir - pensar… hábitos escassos em nossos dias.
Creio q/ será um bom remédio p/ a “depressão”.
“Vamos ver o que estamos fazendo com o tecido da vida”……………
Comentário por Isabel Sousa — 16 de março de 2009 @ 10:50
Muito interessante a matéria sobre a depressão.
Comentário por Ana Coimbra — 16 de março de 2009 @ 11:09
vixi eu achava que nao era depressivo agora eu acho que eu so………..
Comentário por al — 16 de março de 2009 @ 11:10
acho essas materias muito interessantes é uma reflexao para nós nesse mundo tão caótico ,só de parar e ler já me faz muito bem, acho que deveria ter muito mais materias como esta.
Comentário por lucimara — 16 de março de 2009 @ 11:22
Muito boa entrevista, vale ressaltar também, a sensação de Estar-Não Estar. Vejo muitas pessoas presentes mas ausentes.
A tecnologia devora de forma rápida aqueles que não são capazes de controla-la, e mídia bloqueia o lógico, pelo desnecessário, em certos pontos onde os detalhes são importantes.
Faço uma pergunta :
Será que a depressão, nada mais é que a falta de presença nos relacionamentos humanos de qualquer natureza ? Escutar, analizar responder ?
Comentário por HD — 16 de março de 2009 @ 11:25
É preciso aprender a viver neste mundo cheio de tecnologias, um mundo artificial, mas também aprender a ouvir o corpo e a mente, algo que não pode ser ensinado por ninguém. É como viver a modernidade sem fazer parte dela. Devemos enxergar todos esses equipamentos como ferramentas para o trabalho e para facilitar a comunicação com pessoas distantes, nunca para substituir uma conversa na presença de um amigo, ou ver um sorriso de uma pessoa querida. Acho que se as pessoas deixassem de ser tão ranzinzas no trânsito, na fila do banco, no ônibus, e passassem a ver o ser humano ao lado, conversassem mais e sorrissem mais, não haveria tanta depressão. O dinheiro é supervalorizado e quem sorri é bobo ou mal interpretado. O mundo está neurótico e os valores estão invertidos. Prejuízo pra quem não enxerga isso.
Comentário por Alexander Arakaki — 16 de março de 2009 @ 11:56
Essa matéria é ótima. Tenho 40 anos, e já percebi que têm certas coisas que nos são impostas que realmente não vale a pena. Uma dessas coisas é a idéia de que tenho que fazer ml coisas ao mesmo tempo, que uma pessoa evoluida é a que esta sempre ocupado com algo… Será que realmente isso faz sentido? Passei e me questionar, e a ser mais observador. Olhemos para os animais, os cachorros por exemplo: comem, brincam, dormem transmitem uma tranquilidade! E os leões, passam a maior parte do tempo tirando uma soneca e brincando com as crias. Se observarmos a natureza, veremos que ela têm muito pra nos ensinar. Tudo é feito com muita calma e tranquilidade, e tudo dá certo, então pra que vivermos nessa loucura, querendo fazer mil coisas ao mesmo tempo? Estou fora dessa neura, por isso esvolhi viver em uma cidade pequena com 6000, mil habitantes, sem correria e agitação, e aconselho a fazerem o mesmo, a vida passa muito rápido, quando olharmos para trás veremos que muitas coisas não valeu o desgates, ai é tarde demais, estaremos cansados e sem forças para recomeçar. Um abraço.
Comentário por Marcone Guedes — 16 de março de 2009 @ 11:57
o eatres e o aculo de toxinas adquiridas diariamente e junto com o remedio piora aida. mais a vida nao e corrida e sim o tempo que esta muito rapido e nao percebemos.
Comentário por umberto — 16 de março de 2009 @ 12:05
depressão
Comentário por Junior — 16 de março de 2009 @ 12:20
Este problema é Histórico
Lembra do Mal da Vaca Louca, eh eh eh eh
Adilson
Comentário por Adilson André — 16 de março de 2009 @ 12:26
Ana,
Tenho acompanhado teu blog e gosto bastante. Parabéns pelas ótimas entrevistas. Esse post está especialmente bacana, já passei pra vários amigos.
Um beijo!
João
Comentário por Joao Perassolo — 16 de março de 2009 @ 12:29
Chegamos num tempo em que ou pensamos nume jeito de melhorar nosso cotidiano, e por consequência, nosso viver, ou sucumbiremos muito antes do que imaginávamos. Caso essa necessidade passe desapercebida, seremos transformados em seres apáticos, movidos a qualquer química que nos faça ter uma reação mecânica diante da vida. Creio que isso é muito mais sério do que se pensa! Em 2020, acabará matando mais do que o câncer, aliás já existe estudos nesse sentido.
Comentário por telma — 16 de março de 2009 @ 12:29
Matéria sem fundamentos específicos tudo baseado em uma suposta teoria até ai tudo bem,mas dizer que a depressão é sintoma do século 21 e que só pessoas com vida social veloz demais…, não gostei da matéria mas mesmo assim tem algumas partes que eu concordo com ela.
Comentário por wesley — 16 de março de 2009 @ 12:32
Isso me fez lembrar o “mito da mulher moderna”: A mulher que consegue ser uma mãe presente, uma boa profissional, no fim da noite ainda ser uma amante perfeita e ainda ter tempo pra malhar, sair pra se divertir, dar atenção para os pais, etc. Nem a mulher maravilha consegue…
Comentário por chris — 16 de março de 2009 @ 12:33
maravilhosa definição sobre depressão , vamos levantar da cama e viver com paciência , sem estress . viva a vida !!!
Comentário por gustavo — 16 de março de 2009 @ 12:53
Sofro deste mal, realmente o que esta escrito, é a pura verdade.É uam trizseza tão grande que não cabe no peito….
Excelente reportagem…
Parabens..
Comentário por Sonia Weiss — 16 de março de 2009 @ 13:05
Muito bom.
Comentário por Mamendes — 16 de março de 2009 @ 13:17
Muito bom, minha senhora, muito bom. Mas dê o destaque que merece ao fato das pessoas descuidarem de si e dos outros, embora, como estratégia para conferir mais destaque ao problema, invertendo a equação - sofre porque é deprimido, para deprime porque sofre - seja bastante válida.
Aliás, basta ver os comerciais de televisão: todos, até os velhinhos, estão a se mover. E aquela garota do produto para cabelos não pára de mexer, entra no carro, atira a bolsa na cadeira ao entrar em casa, enfim, uma revoada permamente para que os seus lindos e super-tratados pelões possam passear à vontade é tão emblemática…
Ah, neoliberias/capitalistas/calvinistas/sionistas/estadunidenses…
Comentário por Adroaldo — 16 de março de 2009 @ 13:19
É isso aí, amiga…
Comentário por anabeli — 16 de março de 2009 @ 13:25
Gostei muito dessa matéria, muito esclarecedora, luto há anos contra depressão
Comentário por Andréia Pires — 16 de março de 2009 @ 13:37
Muito boa análise de uma psiquiatra que convive com verdadeiros deprimidos. Adorei!
Comentário por Lara — 16 de março de 2009 @ 13:56
o tempo foi o homem quem criou…..daí para piorar vnho o capitalismo!
um individuo quer fica mais rico que o outro…ganhar mais e mais!!! aí vem o lado negativo da grana…..streess, depressão muita preocupação e sempre correndo e querendo ser o melhor.!!!!!!!!!
Não se preocupem, no final tudo mundo chega no mesmo lugar!!!todos são iguais……viramos matéria organica, carne podre para os micro organismos se alimentarem dos nossos corpos.!!!!!
e esquecido no tempo.
Comentário por perroni — 16 de março de 2009 @ 13:59
Tenho depressão e lendo essa entrevista consigo esboçar uma auto-imagem e um conceito da doença que eu não tinha antes. Muito interessante, com certeza vou ler o livro e acho que isso pode me ajudar muito.
Aos meus “colegas” da depre: Não desistam nunca! Muita Luz!
Comentário por Lucas — 16 de março de 2009 @ 14:02
Gostei da reportagem…………………temos que ter forças …………………….
Conselhos naummmmmmmmmmmm
Comentário por Eloi — 16 de março de 2009 @ 14:26
Olá, Ana!
Foste muitíssimo feliz na escolha do tema e mais ainda ao trazer uma abordagem tão rica, a partir de uma profissional que faz uma abordagem bastante realista sobre o assunto. A velocidade da vida atual é o tema central e veja que curioso:
A depressão é uma emoção que tem, dentre seus elementos estruturais, um ritmo lento e um envolvimento passivo. Quer dizer, totalmente o oposto do que enfrentamos na vida cotidiana.
Depressão: a fuga do século XXI.
A depressão é um estágio extremo do aspecto emocional. Diante disso precisamos buscar o autoconhecimento. E isso passa diretamente por entender a funcionalidade e a estrutura das emoções em nossa vida.
Permita-me jogar com a palavra! Vamos dissecar a Depressão:
De + pressão.
Estaria eu num momento “de pressão”, deprimido, quer dizer, pressionado? A palavra ainda termina com “ão”, ou seja, para dar um ar de intensidade, grandeza, comoção.
Já ouviste alguém dizer que sofre de “depressinha” ?
Dissecando, de novo: De + pressinha.
Preciso resolver isso de pressinha, tenho pressa. Viu só, lá vem o tal de ritmo. Enfim, devemos deixar de ser reféns das convenções sociais.
Parabéns!
Grande abraço
Eduardo Silva
Comentário por Eduardo Silva — 16 de março de 2009 @ 14:31
Para Adroaldo,
Ah, neoliberias/capitalistas/calvinistas/sionistas/estadunidenses… (apud Aldroado)
Gostei demais de sua associação de idéias mas, principalmente, por nomear corretamente os cidadãos dos EUA como estadunidenses e não como americanos. É uma batalha que persigo há anos.
Quanto à matéria, não me disse nada. Faço parte do “Clube dos Mentais” (brincadeira para aliviar o sofrimento dos que sofrem de distúrbios psíquicos). E não há livro melhor sobre depressão do que “A síndrome do meio-dia - uma anatomia da depressão”, de Andrew Salomon: Rio de Janeiro, Ed. Objetiva, 2002.
Comentário por Priscila — 16 de março de 2009 @ 14:53
Estamos correndo de que, de quem, para quem? Estamos atrasados? Por quê?
Acredito que somente uma convivência cooperativa e solidária com outras pessoas possa nos proporcionar o verdadeiro prazer de estarmos vivendo. Procuremos, portanto, mais as pessoas, menos as coisas.
Comentário por Marcos — 16 de março de 2009 @ 14:55
Muito interessante essa abordagem do assunto. Talvez devamos ver a depressão por outro prisma - o que pode ser reconfortante.
Valeu, Ana Paula!!
Comentário por Alysson Oliveira — 16 de março de 2009 @ 16:30
no meu entender, a depressão é decorrente da omissão do próprio indivíduo. acabamos (e me incluo também) por deixar que o mundo dite as regras, que a sociedade defina os rumos da vida que nós deveríamos conduzir.
veja o exemplo de muitos trabalhadores: frequentemente deixam de tirar férias porque pensam que o trabalho não vai andar sem eles… e vão acumulando estresse, cansaço físico até o esgotamento. quando se dão conta, pararam porque tiveram que ser internados às pressas, problemas de pressão, coração, colesterol, fadiga… e sabe o que aconteceu com a empresa? continuou vivendo, sem nem mesmo ter que desviar a rota… seguiu seu caminho…
já fiz um pouco de terapia (de casais) e uma das coisas que a terapeuta falou é que nós esquecemos de fazer as coisas que gostamos, que cada um tem que ter um momento só seu, praticar um hobby, ter um pouco de lazer, visitar, ter e manter os amigos… são as válvulas de escape do nosso dia a dia. e muitas vezes negligenciamos isso.
mudanças são temerosas, transformar hábitos é doloroso, mas muitas vezes não requer mais do que boa vontade, criatividade. mude o local onde estaciona o carro, faça um novo curso, frequente um clube diferente, um bar mais longe, vá mais ao cinema, ao teatro. há quanto tempo você não visita seu/sua melhor amigo/a?
a vida agitada nos faz abrir mão de tantos desejos e às vezes me
pergunto se realmente era necessário fazer tantas concessões em nome de uma busca incansável pelo sucesso. ser bem-sucedido é bacana, mas se não tiver saúde para curtir a conquista, de nada vai adiantar… não quero dirigir uma bmw aos 70 anos, não que não seja legal, mas daí já perdeu muito do sentido de se ter um bom carro…
é o meu parecer…
Comentário por guto oliveira — 16 de março de 2009 @ 19:36
“O HOMEM APRESSADO FOGE DA VIDA ”
……………………..
(de um antigo poema de uma amiga, hoje psicanalista em Porto Alegre )
………………………
- Não adorei tanto assim - tentarei não ser indelicado:
- Não traz nada de novo pelo menos que qualquer pessoa alfabetizada, e desde que bem use seu tempo realmente livre ( * ) já não tenha pensado , já não tenha lido, já não tenha ouvido, várias vezes, por aí afora.
………………….
( * ) - Ponto positivo: é a referência à importância do tempo realmente livre, à liberdade, enfim.
Em qualquer época.
………………….
Mais outro ponto positivo da entrevista e, claro, da entrevistada, é estar na ‘media’, é, aqui, atingir ( mais uma ) parte do público, e de instigar à reflexão também sobre a massificação, cuja dimensões e efeitos não nos damos conta, fogem à consciência ( infelizmente, sendo tão efica- zes como os preconceitos que negamos, e de que não nos libertamos, uns mais, outros menos ).
- Me vem à lembrança
“(…) Pois o amor não é doce,
pois o bem não é suave,
pois amanhã, como ontem,
é amarga a Liberdade,
( Gemei, sobre estes Ofícios,
que eles são, transfigurados,
vossos próprios sacrifícios ) (…) ”
- Cecília Meireles
“Romance XXVI” ou “ Da Semana Santa de 1789 “,
in ” Romanceiro da Inconfidência “
Comentário por Humberto Cavalcanti — 16 de março de 2009 @ 22:16
“No fim de uma reflexão o filósofo encontra, não o abismo do eu ou do saber absoluto, mas a imagem renovadora do mundo e a dele própria, entre os outros.” As palavras de Maria Rita kerl, porque demandaram tempo de reflexão e “reclamam” tempo para reflexão, fizeram-me ir às de Merleau Ponty. Engana-se quem pensa que pensadores, poetas, artistas de um foma geral estão isolados da vida e do mundo, pois só a reflexão e a arte podem devolver a energia vital que foi usurpada da humanidade.
O pensamento bem urdido da psicanalista nos ajuda a re-tecer o nosso próprio pensamento e a tentar reencontrar o sentido perdido de nossas vidas na Idade da Midia.
Drummond uma vez disse em uma entrevista: alguns tem o relógio, eu tenho o tempo.
Comentário por Lúcia — 17 de março de 2009 @ 0:38
Alguem tem ou sabe de alguma vaga de trabalho que me permita fantasiar, ter devaneios e coisas que não me deprimam?
O tempo está mais para navalha do que tecido da vida.
Comentário por Bruno — 17 de março de 2009 @ 18:20
Há mais coisas entre Marx e Freud do que possa imaginar a nossa vã filosofia. É caso para se perguntar: não há entre os empregados inúmeros deprimidos e candidatos a?
Comentário por Lucia — 18 de março de 2009 @ 23:09
QUANDO ASSISTI A UM COMERCIAL, EU VI DUAS PESSOAS… UM CASAL SUPER FELIZ. OLHANDO PRA AQUELA CENA, NÃO CONSEGUI ME CONTER. COMECEI A CHORAR , PENSANDO QUE NUNCA TEREI AQUELE MOMENTO. EU SEI QUE MINHA DEPRESSÃO É TANTA; PARECE ATÉ QUE NEM REMÉDIO ADIANTA. TENHO VONTADE DE ME MATAR DE ACABAR COM MINHA VIDA, MAS EU SEI QUE A DOR DA MORTE É DEMAIS
Comentário por D.O.S. — 24 de julho de 2009 @ 19:01
ESTOU ME MEDICANDO E APRENDI QUE DIFAMAR É OFENSIVO DEMAIS .PEÇO DESCULPAS .ESCREVEREI EM BREVE1
Comentário por D.O.S. — 1 de agosto de 2009 @ 22:04
eu fico triste quando eu sinto que estou sozinho, quando não tenho amigos, nem namoradas;não saio, não passeio fico em casa chorando. Os meus pais nem ligam , já me levaram para tudo quanto é médico. Agora estou me medicando e tento me controlar quanto preciso.
Comentário por DANILO — 29 de novembro de 2009 @ 16:15