A arte contemporânea e o mal do esnobismo
A arte contemporânea, com seus valores exorbitantes e seus “conceitos” não raro incompreensíveis, costuma deixar o público com o pé atrás.
O temor de entrar numa galeria e ser ridicularizado ou o desânimo de ir a um museu e ficar com cara de “conteúdo” – aquele ar de quem nada entende, mas quer fingir que entende – afasta muita gente da produção atual.
É por essas outras que chama a atenção o que acontece em Brumadinho, município a 60 quilômetros de Belo Horizonte (MG), sede do Instituto Inhotim.
Numa área de 45 hectares, onde antes funcionava uma fazenda, uma coleção com alguns dos mais representativos artistas contemporâneos brasileiros e internacionais está acessível a qualquer pessoa que pague 10 reais para ali entrar.
E acessível, aqui, tem um sentido amplo.
Expostas ao ar livre ou em galerias envoltas pelo paisagismo que teve as mãos de Burle Marx, as obras, em Inhotim, parecem perder a arrogância.
No sábado em que lá estive, a convite do próprio museu, para acompanhar o
seminário Revisões e Propostas: desafios para o circuito de arte brasileiro, centenas de pessoas passeavam por entre as obras como quem anda num jardim qualquer.
Mas, a cada grande escultura, paravam para tirar um foto, comentar, rir, admirar, estranhar.
Rodrigo Moura, o curador brasileiro da instituição, lembra que, no carnaval, 9 mil pessoas passaram por ali. Muitos, decerto, combinaram um passeio ao parque e não ao museu. Mas que diferença faz?
“6% da população brasileira nunca foi a uma exposição”, observa Moura. “É preciso tirar a arte contemporânea do gueto. O que tentamos fazer aqui é criar canais de comunicação.
Em Inhotim, artistas dos mais valorizados e balados do Brasil, como Tunga, Adriana Varejão e Cildo Meirelles, tendem a sair do isolamento que a arte contemporânea se auto-impôs.
Ali, as obras não se prestam ao esnobismo. Ao contrário. Parecem abertas ao contato humano e não só ao olhar do especialista e ao bolso do milionário.
Revolta de mecenas
Durante o seminário, que levou a Inhotim figuras importantes do cenário artístico nacional, nos dias 20 e 21 de março, Bernardo Paz, o dono da coleção hoje tornada pública, fez intervenções enfáticas.
Depois de reclamar da falta de políticas do Ministério da Cultura e da falta de apoio ao museu, ele defendeu a idéia de que a arte, seja ela qual for, sempre tem a capacidade de tocar o homem.
“Mas isto aqui não interessa aos políticos. O governo dá dinheirinho para grupos de não sei o quê, mas não nos ajuda a manter este museu porque diz que não dá verba para manter jardim”, reclamou Paz.
E não se pense que as farpas do empresário atingiram apenas o governo.
Paz criticou o fato de os bancos poderem usar o dinheiro da Lei Rouanet para abrir os próprios institutos e contou: “A Fiat, que ia ser meu patrocinador, desistiu de investir aqui e criou uma fundação própria, onde vai expor carros”.






Inhotim é uma iniciativa extraordinária, que merece todo o apoio e admiraçao! Num país de soluçoes imediatistas e assistencialistas, uma iniciativa de caráter permanente e com reflexos no longo prazo deveria ser mais valorizada…
Fica a esperança de que as autoridades percebam logo o real valor de uma instituiçao que já é conhecida mundialmente, e que certamente trará grandes benefícios à toda a regiao onde está inserida.
Comentário por Andreia — 2 de abril de 2009 @ 12:44
Realmente Inhotim merece ser conhecido e apreciado. Um lugar lindo onde a arte se mistura com a natureza, fazendo com que a cada curva ou folhagem. apareça um obra de arte. Um lugar que merece a atenção dos governos estadual e federal, como dos grandes empresários. Como seria bom poder ter lugares assim para visitar e sair encantando. Um passeio para todas as idades e que o ingresso é só simbólico.
Comentário por Flávia — 2 de abril de 2009 @ 12:51
Não conheço Inhotim de presença, mas conheço quem já esteve lá. E de amostragens em reportagens como esta. Não há resumo e pobreza nos elogios. Contagiante. Instigante. Admirável. Por amigos que lá estiveram e pela materialização de uma arte abrangente, imensurável.
Comentário por Lúcia — 2 de abril de 2009 @ 12:54
A arte para os politicos não tem retorno financeiro, q é o q os politicos querem.
Falta uma politica cultural mais elaborada para o povo conhecer o q é arte, mais infelismente isso não elege ninguem, por isso os artistas não são apoiados.
carlos alves (escultor)
Comentário por carlosalves — 2 de abril de 2009 @ 13:02
o espaço é maravilhoso mas não permitem sentar nos gramados e deveria ter lanchonetes com valores acessíveis nas mediações, assim como os restaurantes que não são para o bolso de qq público. Deveriam ter opções para vários bolsos.
Comentário por c — 2 de abril de 2009 @ 14:07
Inhotim é um lugar lindo!
Quero vltar mais vezes por sua riqueza natural e cultural.
Comentário por Fernanda de Souza Silva — 2 de abril de 2009 @ 14:50
Infelizmente não é somente o Museu de Inhotim que sofre com o descaso de governos municipais, estaduais e federais. Porque, parafraseando Nietzsche, nenhum descaso é por acaso. Não estou roubando Picassos do MASP?
Infelizmente não é somente a arte contemporânea que vive no gueto. Quem dera! Fui ao MASP recentemente ver uma exposição de Portinari, tratava-se de algumas cenas bíblicas vistas pelos olhos azuis de Brodowski, e completando a pequena/grande exposição havia três dos mais significativos da série dos Retirantes, como a “Criança morta”. Pouco público vi. E Portinari é um pintor modernista, período, penso, já, digamos, institucionalizado, pois os modernistas já têm um lugar reservado nos museus. E por que da ausência do público? Deu-me vontade de, a exemplo do próprio Portinari ao sair do museu do Prado, em Madrid, depois de ver Ticianos, de gritar para a Paulista: vocês já viram?!
Não penso que a arte, seja ela qual for ou de qual período for, seja esnobe ou arrogante. Talvez os especialistas ou milionários, sim. Talvez o Leitor e espectador hábeis, preconizados pelo poeta ou pintor, não sejam o leitor e espectador seus contemporâneos. Porque, talvez, compreendidos sejam presas fáceis de uma certa razão instrumental que tudo torna útil. Olhemos, contemplemos, vivamos a arte, pois dirá Clarice, viver ultrapassa todo entendimento.
Comentário por Lúcia Melo de Sousa — 2 de abril de 2009 @ 15:19
Viagem proveitosa, hein! Beijo.
Comentário por Alessandro Fiocco — 2 de abril de 2009 @ 15:37
Morei em Betim, e visitei muitas vezes Inhotim, um lugar maravilhoso, que tras paz, tranquilidade e criatividade. Lindoooo!!!!
Comentário por Raquel Lima — 2 de abril de 2009 @ 15:50
Em julho/2008, passei um dia maravilhoso em Inhotim ,que uniu a arte, o paisagismo e um otimo almoço no restaurante de lá.Sou de S.Paulo e fui rever uns amigos em BH, qdo eles tiveram a brilhante ideia de me levar até lá para conhecer.Amei!!!!
Comentário por Sonia Regina Secco — 2 de abril de 2009 @ 17:20
Concordo plenamente com a definição nua e crua quanto à arte contemporânea. Qualquer um pode se expressar, mas a arte que continua tocando as pessoas foi feita por gente que morreu há séculos! É um absurdo! Claro que pode ser um comentário desprovido de conhecimento, mas por isso mesmo vale, como tocar as pessoas chamando-as de burras da arte??? Porque é assim que a maioria se sente diante de obras conceituais. Acho que já é tempo de retornarmos à valorização do belo, do acessível, com espaço para todos, claro, mas sem elitizar excluindo.
Comentário por Maria do Sol — 3 de abril de 2009 @ 7:33
INHOTIM E UMA DECLARACAO DE AMOR A ARTE, EM TODOS OS SENTIDOS!! PARABENS BERNARDO, PELA OUSADIA EMPENHO E DEDICACAO A ARTE. UMA PENA NAO TERMOS UMA CLASSE POLITICA QUE SE SENSIBILIZE C A CULTURA. UNS COMPLETOS IGNORANTES PATETICOS!!!!
Comentário por simone — 7 de julho de 2009 @ 19:56
hummm e por favor dona maria do sol. calaaaaaaaaaaaaaaaada!!! ta falando besteira!!!! nao devemos falar sem propriedade!! vamos estudar primeiro!!!!!!!
Comentário por simone — 7 de julho de 2009 @ 19:59
Sou escultor e sei o quanto existe de indiferença nas políticas de cultura neste nosso querido Brasil. Açôes como a de Bernardo Paz devem ser prestigiadas e valorizadas.
Alceo Luiz De Costa
Escultor
Santa Cruz do Sul RS
Comentário por Alceo Luiz De Costa — 6 de outubro de 2009 @ 12:22
Inhotim é um sonho, quando lá estive só respirei arte.
Sem dúvidas o melhor/maior museu do Brasil.
Fiquei muito emocionada com todas as obras que vi por lá, uma das que mas tocou-me, que não consigo esquecer a sensação que causou dentro de mim foi “O Ignoto” trabalho de Artur Barrio.
Apartir daí apaixonei-me por Arte Contemporanea.
Comentário por Janaina Paes — 15 de outubro de 2009 @ 1:31