Filmes de terror desembarcam em São Paulo
Cidade de vocação cinéfila, São Paulo ganhou mais um festival temático: o SP Terror – Festival Internacional de Cinema Fantástico, que começa hoje, no Reserva Cultural, na avenida Paulista.
A despeito da legião de fãs, o terror, pela própria especificidade, custa a cavar espaço no circuito tradicional.
Por isso mesmo, têm ar de novidade os 25 títulos selecionados pelo festival que, para firmar-se como vitrine do gênero, terá duas mostras competitivas, a internacional e a iberoamericana. José Mojica Marins, claro, integra o júri.
Entre as produções inéditas, os curadores chamam a atenção para a ficção científica francesa Eden Log, de Frank Vestilel, o britânico Os Matadores de Vampiras Lésbicas, de Phil Claydon, de título auto-explicativo, e o japonês Yoroi Samurai Zombie, de Tak Sakaguchi.
Entre os brasileiros, há Mangue Negro, filme de zumbis premiado em festivais voltados a esse gênero onde o trash é cult.
Para falar sobre o SP Terror, entrevistei Rodrigo Aragão, diretor de Mangue Negro.
A seu ver, um festival como o SP Terror contribui para difundir o gênero ou acaba por deixá-lo ainda mais no gueto?
Festivais como o SP terror, Curta Fantástico e o Fantaspoa são um sonho realizado para todos os fãs de terror no Brasil
Sempre fomos órfãos deste tipo de evento, torço para que todos cresçam cada vez mais.
Você, quando fez Mangue Negro, pensava em tentar colocar o filme no circuito tradicional ou o destino de um filme de terror é quase sempre o circuito de festivais?
Olha, fiz o Mangue por paixão. Costumo dizer que fiz o filme para mim. Como fã de terror, coloquei as cenas que sempre sonhei ver em um filme nacional.
O Mangue Negro vai para as locadoras da Alemanha e Holanda, mas, infelizmente, ainda não conseguimos distribuição no Brasil.
Torço para que o máximo possível de espectadores possam vê-lo, dentro e fora de festivais.
Seu filme ganhou prêmios em vários festivais. Como é, em geral, a produção do gênero? A temática e a estética se repetem muito?
Existem filmes pasteurizados, sempre com fórmulas muito parecidas, como também acontece com grande parte da produção americana.
Ao mesmo tempo, muitas coisas maravilhosamente originais estão sendo produzidas mundo afora.
Acho que o sucesso do Mangue se deve, em grande parte, ao fato dele ser extremamente regional. Isso faz com que o filme seja original.
Quais seriam os temas universais do terror?
O terror está cravado na alma humana: no medo do escuro e do desconhecido, medo de ser devorado, medo dos deuses ou dos demônios.
Acho que um filme de terror mexe com este porão da mente humana.
O que um espectador busca quando vê um filme de terror?
No meu caso, diversão. Acho esses filmes extremamente divertidos. É como andar em uma montanha russa. Você grita, se assusta e, no final, tudo fica bem.
O que, para você, define um bom filme de terror? Quando ele deixa de ser um filme de gênero e vira cinema – no sentido mais amplo, do público, da linguagem?
Acho que quando se produz um filme de terror pensando em agradar à maior fatia possível, surgem produções fracas e sem tempero, que acabam não agradando ninguém.
Há vários casos assim em produções americanas recentes.
Você vê muito terror? O que há de melhor nessa produção?
Sou cinéfilo, assisto muitos filmes de todos os gêneros.
No terror, gosto muito dos splaitters dos anos 80, como Hora do Espanto, Lobisomem Americano em Londres, e dos italianos dos anos 70, como Zombie, de Lucio Fulci.
O que você diria a quem não tem afinidade com o gênero, mas ficou curioso com o Festival?
Acho que será um programa divertidíssimo. Uma oportunidade única de ver filmes que dificilmente encontraremos nas locadoras.

sinto uma saudade de um pedaço meu que ficou ai em sanpa ponto para cultura ediverçao parabens!!!
Comentário por munir chibli — 25 de junho de 2009 @ 10:30
nao curti, sei lá
estranhOoo
Comentário por João Paulo — 25 de junho de 2009 @ 16:11
Para mim, os melhores filmes de terror são aqueles que vão além do sangue jorrando só pelo sangue jorrando, são aqueles capazes de fazer algum comentário no subtexto, seja cultural, social, político… Como O Exorcista, o embate entre a religião e a ciência; ou nos filmes do Romero, que sempre têm um subtexto político muito inteligente.
Comentário por Alysson Oliveira — 25 de junho de 2009 @ 17:07