A obra do diretor que inspirou Os 12 Macacos é, enfim, exibida no Brasil
No Brasil, a principal referência que temos do outsider Chris Marker vem, curiosamente, da própria indústria cultural: o filme Os 12 Macacos, de 1995.
O cultuado trabalho dirigido por Terry Gilliam, com Bruce Willis e Brad Pitt no elenco, foi inspirado no curta-metragem La Jetée, feito por Marker em 1962.
Mas o verdadeiro sentido da obra do artista francês, que está com 88 anos e foi pioneiro na incorporação da tecnologia à imagem, nunca pôde ser, de fato, apreendido por aqui.
Finalmente, a obra desse homem que não se deixa fotografar e faz filmes que não cabem na definição tradicional de cinema, desembarcou no país.
A mostra Chris Marker, bricoleur multimídia, que passou pelo Rio de Janeiro, está em cartaz em Brasília e desembarca em São Paulo na próxima sexta-feira, reúne 33 títulos.
“Fotografia e cinema são sua matriz, mas sua arte é híbrida, pois trabalha com fotografia, cinema, vídeo, instalações interativas, poesia, literatura e música”, descreve a professora Maria Dora Mourão, da Escola de Comunicações e Artes da USP, no bem cuidado catálogo-livro que acompanha a mostra.
O autor borra ainda os limites entre ficção e documentário, imagens em movimento e fotografia, memória e “real”. O mistério, é bom que se diga, estende-se à sua personalidade.
Aos organizadores da mostra brasileira, Francisco Cesar Filho e Rafael Sampaio, advertiu:
- Espero que não tenham que elaborar a minha biografia, mas, de qualquer forma, não acreditem em nenhuma palavra do que foi impresso no Cahiers du Cinèma ou nenhum outro lugar. Parece que tenho o dom de gerar fantasias.
