Terra Magazine

23 de junho de 2009

Na Europa, a Internet decide o resultado das eleições

Nos últimos dias, a imprensa do mundo todo tem discutido à farta o impacto da Internet sobre o regime que, há 30 anos, vigora no Irã.

Mesmo sob os veus das burcas, o Twitter revela detalhes das manifestações contra o presidente Ahmadinejad que, no mundo real, permaneceriam ocultos.

Mas, se nos regimes duros, a internet serve para tornar público o que os governos proíbem, nos países democráticos, cada vez mais, a internet define os resultados das eleições.

Uma pesquisa realizada pelo Institut français d’opinion publique (IFOP), divulgada esta semana, mostra que a Internet foi a mídia mais utilizada pelos franceses nas últimas eleições do Parlamento Europeu.

Convidados a precisar a utilização de cada uma das mídias no processo de escolha dos candidatos, os entrevistados listaram a Internet como o meio que mais os ajudou.

A reportagem publicada pelo jornal Le Monde revela:

- Para 56% dos eleitores, a Internet foi “muito útil”

Aparecem, em seguida , a tevê, como 50 %, o rádio, com 47 % e a imprensa escrita, com 44 %.

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31 de março de 2009

Governo francês quer punir os internautas

Após duas semanas de acaloradas discussões, a França votou, na noite de ontem, o projeto de lei sobre a internet apresentado pela Ministra da Cultura, Christine Albanel.

Christine Albanel

Christine Albanel

Ficou definido, não sem grande confusão, que o poder executivo criará uma comissão e nomeará um presidente para a proteção dos direitos da criação e da internet.

Isso significa, trocando em miúdos, que o país criará um comitê destinado a avaliar até que ponto o compartilhamento de arquivo ou a violação das regras dos direitos autorais devem ser punidos – com a suspensão ao acesso à rede mundial de computados, por exemplo.

A bancada socialista, contrária ao projeto, ainda pretende levar adiante as discussões na Assembléia Nacional. Alguns deputados argumentam que apenas um tribunal tem direito de dizer se um cidadão é culpado ou inocente.

“Os direitos dos autores são indispensáveis, mas a caça aos piratas é uma fábula arcaica”, diz o deputado Christian Paul, do partido socialista. “É uma volta à idade média”.

Segundo o Le Monde, o deputado UMP, Patrice Martin–Lalande, vai ainda mais longe em seus argumentos. Ele defende que a internet é um direito fundamental, como a educação e a saúde. Para Lalande, o governo não apenas não deve punir os usuários como deve garantir o acesso à internet por meios públicos.

Nos Estados Unidos as punições aos usuários estão previstas desde o final de 2008. No entanto, elas foram pensadas por associações ligadas aos direito autorais e não pelo poder executivo.

A postura da ministra da cultura francesa também vai na contramão do parlamento europeu que, na semana passada, defendeu o reforço das liberdades fundamentais da internet.

Christine Albanel, ao defender a postura punitiva, alinha-se a um pensamento conservador que tenta conter um movimento que, no fundo, não pode ser contido.

Será que a primeira dama Carla Bruni tem reclamado na queda das vendas dos seus CDs para Nicolas Sarkozy?

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